Hoje é dia de cor e amor 08.12.22 (08.12.1940 - 13.11.2013)




 Mãe,

Esta flor é para ti assim como o meu sorriso!
Recordo neste dia que a cor que existia nesta festa afetava os meus sentidos.
Ainda não estava preparada para seguir… para ver a cor a preencher os meus dias e o meu coração! Fé e Força
Hoje, vejo e sinto as cores, o seu calor e harmonia. Fazes-me falta, muita falta, tu sabes bem!
Hoje o céu está mais lindo e especial pois está aí.
Hoje é o teu dia
Hoje e todos os dias estás a cuidar de mim, aqui.
Hoje é o dia da Mãe e por isso também é o meu dia.
Parabéns minha Mãe
Beijos daqui até ao céu e do céu até mim
..."Quando a mãe se vai, uma parte da sua história se perde para sempre. Existem coisas na sua vida que só a sua mãe saberia responder. Renata Nunes"...


Mãe, esta rosa é tua


O meu dia 08.12.2022

Hoje tenho um momento para ti em que tu acreditavas muito: a tua fé inabalável e portanto é minha intenção oferecer-te energia para a tua luz!

Fui até Valongo, como sabes, reuni com duas amigas e vizinhas tuas! Do coração. Tuas cúmplices. São pessoas tão especiais e que gostam tanto de ti! Que não falam demais; pois questionaram, naturalmente sobre mim e eu naturalmente e sem mais reservas respondi, da: Alma.
Fui surpreendida de imediato, pois a Julieta logo diz assim: A tua mãe já me tinha dito, a minha Ana precisa de ser feliz, trabalha tanto!
Disfarcei… mas meu coração naquele momento ficou apertado, quanto mais aquelas senhoras, minhas amigas também, teriam para me dizer? Qual o "gatilho" que teria que expressar?
Levei-as a casa pois tinham ido a pé! Imagina.
Foi a primeira vez, depois de entregar a tua casa, que lá passei… na tua Rua, naquele numero 10. Não desviei o olhar! Levar a Julieta e a Luísa e seu filho (que não conhecia), a casa delas foi bom! Moram porta com porta e por tal, despedi-me logo ali! Até porque já tinha um carro atrás de mim!
Aquele abraço, foi mesmo um abraço. Que saudades de abraços assim…

Regressei, fui ter com o meu irmão, afinal iriamos passar o fim deste dia juntos! Busquei nela a parte que me faltava naquele momento. Dividi com ele a emoção dos minutos atrás. Pedi-lhe ajuda, para comigo estar na tomada de decisões. Uma de muitas que terei de tomar no ano de 2023.

- Foi aqui que ele disse, sabes que somos únicos, sabes que existe a Loucura Sana. Olhei para ele e sorri.

Onde estávamos tinha música, e comecei a sentir a leveza que aquelas melodias ofereciam. Apenas sentindo a batida. Naquele momento fui leve e feliz. Sorri e acompanhava a letra e desafiava o Zé a dizer o nome da banda! Logo ele que ama música e que conhece bem, aqueles anos do tempo de: Sétima Legião, António Variações, Paco Bandeira, Roberto Carlos, Marante, Paulo Gonzo, Eurythmicas, Annie Lenox, Take That, Delfins e depois o Raghatoni. Entretanto vim embora!
Músicas que já não ouvia há anos, músicas tão características das festas populares do Porto, dos arraiais. Recordei a delicia que tinha ao ver a minha mãe a dançar com o meu pai! Ele era efetivamente dançarino… tinham muita harmonia. Segundo ele, aprendeu a dançar com uma vassoura, e depois muitos bailes. Tempos de outrora. Também dava um jeito na guitarra portuguesa - o prazer que tinha em coloca-la na sua perna. Tempos de S. João no Porto, na nossa casa sempre cheia de amigos que também estavam ligados ao comércio tradicional e em que os filhos frequentavam as mesmas escolas! Muita cumplicidade.

https://anadopranto.blogspot.com/2022/07/tempo-com-tempo.html
Vou procurar fotos e postar aqui, eternizando momentos.

Hoje, tenho saudades e lamento não ter aprendido a dançar com ele! Eu era muito inibida e ficava no meu canto! Nunca dando a entender o quanto gostava de ver aquela sintonia perfeita de passos! A posição das mãos erguidas e que se encontravam no fim. Ao som da melodia. Lindo e único
Confesso também que o género musical dos jovens da altura, era outro: Michael Jackson, Tina Turner, Simples Mind, e tantos outros!

Ao escrever esta memória, e porque estamos no Natal, recordo que um ano pintou as paredes todas da sala com spray a dizer Boas Festas. A minha mãe ficou muito aborrecida e ele disse que as pintava depois da festas.
Foi a saudade desta cumplicidade que o fez partir também, pois estavam juntos há mais de 34 anos ( efetivamente juntos!), ambos em segundo casamento, e por tal o coração dele não aguentou. Tendo falecido no mesmo mês que a sua companheira de vida, minha mãe. Quando novembro entrou ele começou a ficar diferente, muito saudoso, muito calado e recordo que alertei todos os que com ele conviviam durante o dia para estarem atentos e por incrível, foi um desses senhores que me ligou a avisar que efetivamente ele não andava bem! O meu pai quando estava junto de mim disfarçava - mal sabia que eu disfarçava também - a dor era muito grande para os dois! Aqueles seus olhinhos eram de uma busca incessante de ternura!

O dia assim terminou e antes de o encerrar escrevo o que recordei deste dia de anos da minha mãe. Foi bom, por que viver também é recordar e eu recordei.



“Que minha solidão me sirva de companhia. Que eu tenha a coragem de me enfrentar. Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim sentir-me como se estivesse plena de tudo.”
Clarice Lispector

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