Palavras que ficam...
PALAVRAS QUE FICAM
Não atendemos telefones. Atendemos pessoas.
Há coisas que não se conseguem medir.
Não cabem numa escritura, num contrato, numa comissão ou numa chave entregue no final de um processo. Não aparecem numa folha de Excel, nem se traduzem em números.
São as palavras.
As palavras de quem confiou. De quem chegou com dúvidas, com sonhos, com receios ou, algumas vezes, convencido de que aquilo que desejava seria impossível.
Ao longo destes anos, fui percebendo que trabalhar no imobiliário nunca foi apenas vender ou comprar casas. É entrar, ainda que por breves momentos, na vida das pessoas. É conhecer histórias, perceber expectativas, acompanhar decisões e, muitas vezes, estar presente quando uma mudança de casa representa também uma mudança de vida.
Há clientes que chegam para comprar e regressam anos depois para vender. Há quem me procure porque alguém da família falou de mim. Há quem tenha chegado sem saber exatamente o que procurar e tenha encontrado, comigo, a segurança necessária para tomar uma decisão.
E há aqueles que, no caminho, deixam também alguma coisa em mim.
Estes testemunhos são isso.
São pedaços de histórias que me foram confiadas e palavras que guardo com uma gratidão difícil de explicar. Alguns foram escritos com poucas palavras. Outros nasceram de processos longos, difíceis, cheios de obstáculos. Uns falam da profissional. Outros falam da pessoa.
E talvez seja precisamente aí que esteja a maior riqueza de todos eles.
Quando alguém escreve que se sentiu acompanhado como por uma amiga, percebo que a relação ultrapassou o negócio.
Quando alguém diz que encontrou confiança, tranquilidade e segurança, percebo que cumpri aquilo que considero essencial nesta profissão.
Quando alguém diz que há profissionais competentes e profissionais que deixam uma marca, fico consciente da responsabilidade que existe em cada relação que construo.
E quando uma cliente me diz que fui “o girassol que decidiram plantar”, percebo que há frases que ficam para sempre.
Porque o girassol, para mim, nunca foi apenas uma flor.
É luz. É direção. É esperança. É a capacidade de continuar a procurar o sol mesmo depois dos dias menos luminosos.
Talvez seja por isso que estas palavras tenham tanto significado.
Este livro fala de mim, mas não é apenas sobre mim.
É também sobre eles.
Sobre as pessoas que confiaram em mim para vender uma casa, encontrar uma casa, fazer um investimento, começar uma nova vida ou simplesmente dar o primeiro passo de um sonho que parecia distante.
São eles que melhor podem contar aquilo que eu procurei ser ao longo deste caminho.
Uma profissional competente, sim.
Mas, acima de tudo, uma pessoa presente.
Porque no final de cada negócio, quando os documentos estão assinados, as portas se fecham e as chaves mudam de mãos, aquilo que permanece não é a transação.
É a relação.
E talvez seja por isso que continuo a acreditar, cada vez mais, que nunca atendi telefones.
Atendi pessoas.
Ana Pranto
Autora
© 2026 Ana Pranto. Todos os direitos reservados.
Este texto é uma criação original de Ana Pranto e integra o projeto editorial do livro Não atendemos telefones. Atendemos pessoas.
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