Uma cápsula do tempo 19.01.26


MOVIMENTO

    Em Dezembro de 2025 escolhi a palavra que iria acompanhar o meu ano de 2026. MOVIMENTO. Não sabia exatamente o que essa palavra me iria trazer. Sabia apenas que fazia sentido para mim.

Depois, a 19 de Janeiro de 2026, numa reunião de início de ano, organizada e apresentada pelo Paulo Duarte, diretor do Grupo Latina Zona Norte, como ponto de partida para o novo ano, participei numa atividade que tinha como propósito guardar uma frase numa cápsula do tempo. Uma frase curta. Verdadeira. Minha. Uma frase que me definisse e me acompanhasse durante o ano.

Foi também um daqueles momentos em que estamos rodeados de pessoas que, de uma forma ou de outra, nos ajudam a crescer. Pessoas que nos incentivam, que nos desafiam, que nos fazem pensar e que, através da sua forma de estar e de acreditar no nosso trabalho, acabam também por fazer parte do nosso caminho.

Escrevi: “Sou o movimento da minha essência.”

Dobrei o papel… guardei-o na cápsula… e segui a minha vida.

    A cápsula ficou guardada entre tantas outras coisas. O ano, esse, não ficou. Foi acontecendo.

    Houve movimento nas minhas decisões, nos meus objetivos, no trabalho, nas pessoas, nas circunstâncias. Houve mudanças que provoquei e outras que simplesmente aconteceram. Houve mudanças no mercado, mudanças dentro da empresa, mudanças à minha volta e, talvez as mais importantes, algumas mudanças dentro de mim.

    Houve conquistas… houve pausas… houve partidas e reencontros. Houve dias em que avancei com toda a força e outros em que simplesmente precisei de parar. Mas nunca deixei de viver.

    E hoje, em Setembro, ao remexer nas minhas coisas, encontrei a cápsula. Abri-a. E voltei a ler aquelas palavras:

“Sou o movimento da minha essência.”

Fiquei a olhar para a frase… e sorri.

    Um sorriso daqueles que não se explicam muito bem. Porque fui eu que a escrevi. Em Janeiro. Antes de saber o que 2026 me iria trazer.

    Mas havia uma coisa que eu queria confirmar. Queria saber exatamente quando tinha escrito aquela frase. E foi o próprio Paulo Duarte, que tinha preparado e apresentado aquela reunião de início de ano, quem me ajudou, agora, a perceber a data. Foi assim que confirmei… 19 de Janeiro de 2026.

    E talvez este detalhe pareça pequeno. Para mim não é. Porque torna esta história verdadeira. Há uma data. Há uma reunião. Há pessoas. Há uma cápsula. Há uma frase escrita por mim naquele momento… e depois há tudo aquilo que aconteceu.

E, de repente, percebi. Eu tinha escolhido Movimento. Tinha escrito Movimento. E depois vivi Movimento.

    Não porque tivesse conseguido controlar tudo o que aconteceu. Muito pelo contrário. Grande parte do movimento aconteceu simplesmente porque a vida se move.

O mercado muda… as empresas mudam… as pessoas mudam… as circunstâncias mudam… nós mudamos.

    E talvez o verdadeiro significado daquela frase não estivesse em fazer mais, correr mais ou procurar constantemente o próximo passo. Talvez estivesse em continuar a ser eu enquanto tudo se movimentava à minha volta.

Hoje não me sinto parada. Sinto-me no lugar. Talvez no lugar certo.

    É estranho dizer isto depois de um ano que foi, efetivamente, de tanto movimento… mas é exatamente isso que sinto. Como se o mundo pudesse continuar a girar e eu não tivesse necessidade de correr atrás dele.

Voltei a fechar a cápsula.

Mas desta vez já não guardei apenas uma frase. Guardei uma certeza.

    E também uma enorme gratidão pelas pessoas que, ao longo deste caminho, estiveram presentes, me incentivaram, me fizeram crescer e, cada uma à sua maneira, deixaram alguma coisa neste meu movimento.

    Quero agradecer ao Paulo Duarte, diretor do Grupo Latina Zona Norte, por ter criado aquele momento, por nos ter desafiado a olhar para dentro e por, meses depois, me ter ajudado a reencontrar a data em que tudo isto começou.

    À minha família… por estar, por compreender, por acompanhar e por fazer parte de todos os meus movimentos, mesmo daqueles que nem sempre se veem.

    Ao universo… por tudo aquilo que não planeamos, não controlamos e que, tantas vezes, acaba por nos levar exatamente onde precisamos de estar.

E a mim.

    Porque também aprendi que agradecer aos outros não pode significar esquecer-nos de nós próprios.

    Agradeço-me por ter escolhido continuar. Por ter tido coragem. Por ter feito. Por ter parado quando precisei. Por ter mudado quando foi preciso. Por ter confiado.

    À Ana que escreveu aquela frase em Janeiro… e à Ana que hoje a lê e sorri, só posso dizer:

Obrigada.

“Colegas, alguém ainda tem a cápsula do tempo que guardámos na reunião de 19 de Janeiro? Estou a escrever sobre esse momento e gostava muito de saber se alguém ainda a guardou.”


    Às vezes escrevemos coisas sobre nós sem saber ainda a dimensão daquilo que estamos a escrever… e depois a vida encarrega-se de nos mostrar.

“Sou o movimento da minha essência.”





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